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Minha História

 
Confira a História de vida de Rosely Ferraiol
Comecei a praticar o budismo em maio de 1989. Eu lia muito sobre religiões e uma das coleções que me encantou foram os livros de Lobsang Rampa - um escritor inglês que popularizou o esoterismo. Era o único contato que eu tinha com o budismo. Era uma vertente bem diferente, mas me encantava.

Sempre fui batalhadora. Mas, no Brasil quanto mais experiência você tem menos você serve. Quando estava casada e já com meus dois filhos, tive que encostar meu diploma de professora de Educação Física, técnica de ginástica rítmica desportiva e bailarina clássica. Tentei de tudo. Até que comecei a vender cosméticos e a primeira porta que bati foi atendida por uma senhora, que pediu para que eu entrasse. Deparei-me com um oratório na sala e perguntei do que se tratava. Ela falou: "Sou budista!". Ela me ensinou a recitar o Nam-myoho-rengue-kyo e naquele dia mesmo fui numa reunião.

Essa senhora estava desenganada pelos médicos, contudo ela se recuperou. Ela tinha determinado que faria uma pessoa conhecer o budismo, mas não podia sair de casa. Então, bati na porta dela. A partir daí não tive dúvidas. Em três meses recebi o Gohonzon.(pergaminho ). Comecei com uma prática muito amena. Escutava falar muito em desafios, revolução humana, gratidão, em ser bodhisattva,( cultivar o tesouro do coração). Mas, ainda estava engatinhando. Passei por diversos obstáculos, mas comecei a sentir minha alma mais aquietada.

Morávamos numa casa alugada e sempre trabalhei com prestação de serviços. Meu marido, que tem uma empresa de restauração de fachadas e pinturas, também passava por momentos bem difíceis.

Foi desastroso não conseguirmos pagar os aluguéis e tivemos que nos retirar de onde estávamos. Deixamos, inclusive, o local de trabalho. Não tínhamos para onde ir. Eu só tinha uma certeza, de que era a grande oportunidade de meu crescimento. Eu não estava bem, pois a situação ficou realmente crítica. Entretanto, sem me apavorar, orei para que tivesse um direcionamento e, ao mesmo tempo, para que meus filhos, que eram adolescentes, não se revoltassem.

Fomos morar provisoriamente na casa de minha sogra. Uma casa simples e pequena, que não permitia levar todos os nossos móveis. Por isso, tivemos que nos desfazer de todos eles, exceto meu oratório, que minha sogra, mesmo não sendo praticante budista, com sua sabedoria permitiu que o colocasse sobre uma cômoda. Dormíamos no chão, em colchões sobrepostos. Meu marido dormia com metade do corpo na cozinha. Fazia muito frio e eu colocava jornais debaixo dos colchões.

O estranho era a minha serenidade diante da situação e a compreensão dos meus filhos, que poderiam ficar constrangidos perante os amigos, mas se mostravam cada vez mais genuínos como seres humanos. Meu marido, que não pratica o budismo, pedia para orar para mudar aquela situação. Eu acreditava que aquela experiência era para nosso próprio crescimento, pois para todo desafio viria, em proporção, os obstáculos.

Voltei a dar aulas de educação física. Mas, quando tudo estava melhorando, apareceu um caroço no meu pescoço, constatado com um tumor na glândula tireóide. O médico dizia que era maligno. Teria que fazer uma cirurgia para retirar o tumor. Eu tinha um convênio médico de muito tempo, porém eles colocaram tantos empecilhos e não autorizaram a cirurgia. Movi uma ação contra o convênio, mas não poderia aguardar os trâmites, quanto menos pagar a cirurgia.

Deixei de dar aulas novamente. A situação se agravou tanto, que até o meu carro foi levado pelo oficial de justiça por falta de pagamento. Mas, isso só serviu para fortalecer a minha fé. Em um mês, a casa que ficava atrás da casa da minha sogra ficou vaga e passamos a morar lá.

Quando ocorreu um benefício inesperado. Meu filho caçula foi contratado por seis meses para fazer o seriado "Malhação" na Rede Globo. Seu trabalho nos ajudou a respirar um pouco.

Contudo, a casa que estávamos era praticamente emprestada e o prazo para sairmos estava se esgotando. O contrato do meu filho também estava terminando. Então descobri uma construtora que estava construindo um condomínio de 60 casas no Horto Florestal e precisariam ser pintadas. Liguei para o dono da construtora e solicitei um encontro pessoal para pedir que nos deixasse entrar na concorrência da pintura das casas. Além de entrar na concorrência, nós ganhamos e conseguimos pagar metade da casa para morar lá.

Nessa nova casa conheci uma médica endocrinologista que pôde me ajudar a tratar da tireóide. Ganhei o processo contra o convênio de saúde e recebi a indenização do convênio, mas preferi fazer a cirurgia no hospital onde esta médica ofereceu-me o tratamento. A cirurgia foi bem-sucedida e o tumor era benigno.

Voltei saudável, porém ainda debilitada, mas precisava trabalhar. Certo dia, tomando café com minha sogra, surgiu a idéia que mudou meus horizontes. Quando olhei para aquele papel usado no suporte do filtro do café deu-se a empatia. Criei uma técnica de revestimento com filtro de café usado. Comecei a forrar luminárias, vidros de conservas, paredes, garrafas, caixas de leite, em fim tudo que era sucata. As peças ganharam vida.

Com coragem mostrei o trabalho numa emissora de televisão. Foi um sucesso. Recebi telefonemas do Brasil todo, querendo aulas e apostilas. Comecei a dar aulas, entrevistas para a mídia impressa e televisiva e fiz palestras para arte-educadores na Bahia. Além disso, achei o que gostava de fazer!

Direcionei meu trabalho para o terceiro setor, desenvolvendo um projeto de inclusão social e resgate da cidadania, num trabalho eminentemente voltado para reciclagem e reaproveitamento. Somei a este projeto o que aprendi numa frase do presidente Ikeda: "É o princípio fundamental de que, quando nos mudamos, o mundo muda, e que conduz aos conceitos de Revolução Humana e de estabelecer o ensino correto para a paz da nação. Tudo compete a nós. Não podemos culpar os outros. Tudo retorna a nós e não aos outros. Se ainda não compreendemos isso, não estamos praticando a Lei Mística.".

Desenvolvi trabalhos com detentos da Polícia Militar, no Presídio Romão Gomes, com catadores de papel de rua e deficientes visuais do Centro de Apoio ao Deficiente Visual (Cadevi).

Eu desenvolvi esta técnica de revestimento de objetos com filtro de café usado em 1997 e percebi o potencial de textura formidável que os filtros proporcionam, encontrando inúmeras possibilidades de reciclagem e reaproveitamento. Acabei ensinando o método em diversas localidades do país e muitos, hoje, sobrevivem vendendo artigos desenvolvidos com essa técnica. Hoje reciclo mais de 30 mil filtros por mês.

Posso dizer que meu coração está em sintonia com nosso mestre. Existe uma frase dele que está marcada na minha vida: "As atuais circunstâncias não interessam. O importante é o que você fará a partir de agora, e o quanto deseja lutar. É dessa disposição que os horizontes futuros se revelam".

Agradeço esta oportunidade de contar um pouco da minha vida.
Fale com nossa Artesã(o)
reciclarte@roselyferraiol.com.br / (11) 5581-4009
 
 


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